quinta-feira, 20 de outubro de 2016

A via unitiva (Mística)

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Autor: Prof. VICTOR HUGO NASCIMENTO
Filósofo e Teólogo.



Vida mística é a experiência que a criatura humana faz de Deus presente no íntimo de sua alma. Este conhecimento se dá por dois modos: Modo de conhecer:
- Natural
Na base da razão apenas

Modo de conhecer:

- Sobrenatural Na base da razão e da revelação mediante as virtudes infusas. Na base da revelação sobrenatural e mediante os dons do Espírito Santo.
O terceiro modo é a nota mais marcante da vida mística. O estado místico é o estado em que a criatura humana, sujeita à ação do Espírito Santo, faz a experiência de Deus que lhe está intimamente presente na alma.
É principalmente por efeito do dom da sabedoria que se consegue tal experiência.
Note-se que a experiência mística constitui o plano normal do desenvolvimento da vida interior do cristão. Não é reservada a almas privilegiadas, mas vem a ser simplesmente a vocação de todo cristãos, desde o dia do seu batismo.
Os fenômenos extraordinários são um sinal da íntima união com o divino Esposo. Mas sua ausência em nada diminui tal união.

Diferenças entre mística cristã e não-cristã

  1. O místico não-cristão (hinduísta e budista) se orienta às vezes por concepções panteístas; tende a se identificar totalmente com a Divindade, substância neutra e impessoal, que vai tomando facetas na natureza e no homem. O termo final da mística não-cristã é muitas vezes a despersonalização do homem e sua fusão total com o Divino. É fruto do esforço humano. Não contam com a “graça” ou auxílio que venha de Deus.
  2.  A Mística cristã concebe um Deus pessoal (dotado de inteligência e vontade), transcendente, um Outro, diverso da sua criatura. A experiência mística é gratuito favor de Deus, que atrai o homem a Si.

Contemplação

Contemplação é um olhar sobre valores superiores ou intuição, geralmente deleitosa, do Transcendente (como quer que os homens o chamem).
No cristianismo, a meta final da contemplação é a visão de Deus face a face (1 Cor 13,12; 1 Jo 3,1-3).
A Teologia católica distingue:
  1. Contemplação adquirida: Aquele que resulta da leitura e do estudo da Palavra de Deus e dos artigos da fé. Supõe o aparato conferido pelo Batismo: a graça santificante, as virtudes teologais, as cardeais e os dons do Espírito Santo. O estudo da Palavra nunca é meramente acadêmico, mas o encontro com Deus.
  2. Contemplação infusa: Aquela que não depende tanto de leitura e estudo, mas é um precioso dom do Espírito Santo. Pode ser por intuição repentina e profunda de uma verdade muitas vezes professada, mas nunca muito significativa; o rico conteúdo dessa proposição poderá patentear-se quando menos se espera. Essa contemplação está associada à pureza de coração, da qual fala Jesus em Mt 5,8.

Elementos que favorecem a vida mística

  1. O silêncio exterior e interior, das fantasias e da memória, que devaneiam inutilmente, dispersando o orante.
  2. Frequência nos sacramentos, principalmente a Eucaristia. Ele propicia a mutua imanência do Cristo no cristão, e vice versa.
  3. Lectio divina reúne em si a contemplação adquirida e infusa; esta última sempre dependendo da abertura de coração que alguém se entrega ao Espírito Santo.

Frases seletas

"Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu fora. Estavas comigo e não eu contigo. Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz." (S. Agostinho)
"Quer louvar-te o homem, esta parcela de tua criação! Tu próprio o incitas para que sinta prazer em louvar-te. Fizeste-nos para ti e inquieto está nosso coração, enquanto não repousa em Ti." (S. Agostinho)
“Vocês pensam que Deus não fala porque não se ouve a Sua voz? Quando é o coração que reza Ele responde”. (S. Tereza D’Ávila)
“Uma prova de que Deus esteja conosco não é o fato de que não venhamos a cair, mas que nos levantemos depois de cada queda”. (S. Tereza D’Ávila)
"A mosca que pousa no mel não pode voar; a alma que fica presa ao sabor do prazer, sente-se impedida em sua liberdade e contemplação." (S. João da Cruz)
"Para possuir Deus plenamente é preciso nada ter; porque se o coração pertence a Ele, não pode voltar-se para outro." (S. João da Cruz)
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