sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Bispo canadense recebe prêmio por defender o diaconato feminino no Sínodo

[ihu]


Que as mulheres sejam ordenadas diaconisas e inclusive em postos de maior responsabilidade dentro da Igreja católica. O arcebispo de Gatineau, em Quebec, Paul-André Durocher, acaba de receber um prêmio de um grupo católico estadunidense por esta sua posição no Sínodo sobre a Família em 2015.
A reportagem é de Cameron Doody e publicada por Religión Digital, 28-09-2016. A tradução é de André Langer.

A reivindicação de Durocher teria sido uma das razões por trás da criação pelo Papa Francisco, no começo de agosto, da comissão encarregada de estudar o diaconato feminino histórico com vistas à sua possível recuperação na Igreja atual.
Na quinta-feira da semana passada, em um ato em Cleveland, Ohio, o grupo FutureChurch concedeu a Durocher o Prêmio Father Louis J. Trivison, em memória do padre fundador da organização e que foi, além disso, altamente comprometido com a causa da igualdade da mulher na Igreja.
Em uma nota de imprensa publicada dias antes da entrega do prêmio, a diretora-executiva da FutureChurch, Deborah Rose-Milavec, afirmou que a decisão de honrar Durocher obedecia ao estímulo profético que o prelado tinha dado à Igreja universal com sua proposta de um maior protagonismo da mulher na hierarquia eclesial. “A liderança do arcebispo Durocher merece este agradecimento, porque chama a Igreja a reconhecer e a utilizar os dons, ministérios e liderança das mulheres”, assinalou.
Ao aceitar seu prêmio, via Skype, dom Durocher disse que ele acredita em “construir pontes”. Referindo-se à controvérsia que seu prêmio levantou entre setores conservadores da Igreja estadunidense – e à reputação progressista do grupo FutureChurchDurocher afirmou que devemos, sobretudo, fortalecer o diálogo. “É importante que na igreja não deixemos de nos aproximar uns dos outros e de trabalhar pelo bem maior ali onde está ao nosso alcance”, opinou.
Em seu discurso de agradecimento pelo prêmio, Durocher recordou, além disso, as circunstâncias que o levaram a reclamar, no Sínodo, uma maior visibilidade para a mulher na Igreja. Na essência, explicou, sentiu que a Igreja “não podia falar com credibilidade” sobre a violência machista na família antes que a hierarquia não se reestruturasse “para reconhecer e celebrar a dignidade inerente de todas as mulheres”.
“Sugeri que buscássemos maneiras”, explicou, “para ouvir as vozes das mulheres em nossas reflexões sobre as Escrituras, sobre as nossas estruturas de governo e, finalmente, para estudar a possibilidade de ordenar mulheres para o diaconato permanente”.
O grupo FutureChurch – que completou 25 anos no ano passado – tem como missão, como está detalhado no seu sítio da internet, “buscar mudanças que proporcionem a todos os católicos a oportunidade de participar plenamente da vida e da liderança eclesiais”. Defende, entre outras coisas, a incorporação por parte da Igreja de “estruturas justas, abertas e colaborativas” na sua liturgia, organização e governo.

Para ler o discurso de Durocher na íntegra (em inglês), clique aqui.

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