terça-feira, 1 de março de 2016

O Sagrado Matrimônio e a profanação da liturgia

[afeexplicada]


É triste saber que hoje a maioria das cerimônias de casamento perderam totalmente a sacralidade. A intenção deste texto é desfazer alguns equívocos cometidos durante as cerimônias, em especial no que se refere à liturgia.

1 – Rito do Casamento dentro da Santa Missa.

Ao contrário do que a maioria pensa, o Ritual de Casamento deve acontecer por regras gerais, dentro da Celebração do Santo Sacrifício, embora o pároco possa, tendo em conta as necessidades pastorais, ou a participação dos nubentes e dos assistentes na vida da igreja, propor que a celebração aconteça fora da Missa. (Conferir Ritual Romano do Matrimônio)
Em outras palavras, o NORMAL é que o casamento aconteça dentro da Santa Missa, e o casal católico deve fazer todo o possível para que o padre assim o faça, assistindo o casamento durante o Sacrifício o qual celebra.
Há de entender que o erro não está em que a celebração aconteça fora da Santa Missa, uma vez que o próprio livro traz as duas formas de celebração, o erro está principalmente em perceber que o extraordinário se tornou a regra, de forma que hoje é muito raro vermos acontecer alguma Celebração Matrimonial durante a Santa Missa.

2 – Músicas românticas x músicas sacras.

Nas cerimônias de casamento, sejam elas dentro ou fora do Rito da Santa Missa, o uso de músicas românticas NÃO É PERMITIDO. O Ritual Romano é claro ao dizer que os cânticos devem ser adequados ao rito do matrimônio e devem exprimir a fé da Igreja. Há de se entender que a cerimônia do Matrimônio não é um evento social, mas sim um evento religioso.
O Papa Pio X, no Motu Proprio Tra Le Sollicitude, diz claramente que NADA deve suceder no templo que perturbe ou diminua a piedade e a devoção dos fiéis (…), nada que ofenda o decoro e a santidade das sacras funções.
O Compêndio do Catecismo da Igreja Católica também demonstra vários critérios para a escolha das músicas nas celebrações litúrgicas.
1- Conformidade dos textos com a doutrina católica.
2 – Devem ser tomadas preferencialmente da Escritura e das fontes litúrgicas.
3 – Devem demonstrar a beleza expressiva da oração (não o romantismo do noivo pela noiva)
4 –  A participação da assembléia.
5 – A riqueza cultural do Povo de Deus.
6 – O caráter sacro e solene da celebração.

Sobre a música sacra, é bom ler o Quirógrafo do Sumo Pontífice João Paulo II bem como o Motu Proprio Tra le Sollecitudini.

3 – Homenagens durante a cerimônia

Como já citei acima, o Ritual do Matrimônio não é um evento social, ou uma homenagem do noivo pra noiva, nem nada parecido, trata-se do momento onde os dois, perante um ministro autêntico da Igreja de Cristo, selam uma união eterna com Deus, prometendo fidelidade até que a morte os separe.
O romantismo é algo que pode (ou deve?) ser preservado e incentivado entre os casais, mas cabe entender que durante a Celebração do Matrimônio, ele deve ser deixado de lado por se tratar de uma cerimônia sagrada (não romântica).
Se querem fazer homenagens, declamar um poema, cantar pra noiva, dançar Macarena ou virar um mortal triplo pra trás, fiquem a vontade. Façam na recepção, na Lua de Mel, na casa, na praça, na Marginal Tietê ou qualquer outro lugar, mas NUNCA NA IGREJA durante uma cerimônia  RELIGIOSA. Todas essas coisas (inclusive o mortal triplo pra trás) não se constituem pecado, desde que sejam feitas no momento e no local certo, com certeza o momento certo não é durante a cerimônia do Matrimônio e o local certo não é dentro da Igreja.
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