sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

'Papa deveria rezar para eu salvar Vaticano do EI', rebate Trump sobre não ser cristão

Do UOL, em São Paulo

Após ser chamado de "político", o papa Francisco fez uma crítica aberta nesta quinta-feira (18) ao magnata e pré-candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump, que defende políticas contrárias à imigração nos Estados Unidos.
"Uma pessoa que pensa em construir muro, qualquer que seja, em vez de criar pontes, não é cristão. Isto não está no Evangelho", disse o líder da Igreja Católica, em uma conversa com jornalistas dentro do avião que o levou do México à Itália, após uma viagem de quase uma semana ao continente americano.
Em resposta às críticas do papa, o pré-candidato republicano à Casa Branca disse que o líder católico deveria "rezar" para que ele vença as eleições e impeça o Estado Islâmico de atacar o Vaticano. "Todos sabem que o objetivo final do Estado Islâmico é atacar o Vaticano. O papa deveria rezar para que Trump se torne presidente para que isto não aconteça", disse o magnata, em um evento na Carolina do Sul nesta quinta.
Trump, que lidera várias pesquisas de intenção de voto nos Estados Unidos, disse que gostaria de construir um muro na fronteira do país e que deportaria cerca de 10 milhões de imigrantes. O magnata também já se envolveu em uma série de polêmicas devido às suas declarações de caráter xenofóbico.
Questionado sobre se os eleitores norte-americanos deveriam eleger Trump, o papa tentou se esquivar, mas não deixou de alfinetar o pré-candidato. "Não vou me intrometer. Só digo que este homem não é cristão por dizer estas coisas. Precisa ver se ele disse realmente isso ou não. Dar o benefício da dúvida", comentou Francisco.
Nesta semana, Trump chegou a criticar o papa, dizendo que o considerava um homem "muito politizado" para ser líder da Igreja Católica. Mas Francisco também rebateu a acusação.
"Graças a Deus que ele [Trump] disse que sou um político, porque Aristóteles define a pessoa humana como 'animal político', ou seja, sou humano. Sobre eu ser um 'peão', talvez eu seja, talvez não. Deixo para o povo julgar", disse o papa.
As respostas do argentino Jorge Mario Bergoglio já chegaram ao magnata norte-americano, que voltou a pontuar que o "papa é um personagem muito político". Francisco viajou no último dia 12 ao México, país que faz fronteira com os Estados Unidos e cujos problemas de narcotráfico e imigração influenciam a política norte-americana e os debates presidenciais. No país, o papa fez discursos contra a corrupção e o narcotráfico e visitou uma prisão em Ciudad Juárez.
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