domingo, 15 de janeiro de 2017

E algumas caíram entre os espinhos




Autor: Anastasios Kioulachoglou

Vamos prosseguir agora para aqueles retratados na terceira categoria: estes são aqueles que ouviram a Palavra, mas “indo em seu caminho, são sufocados pelos cuidados, riquezas, e deleites desta vida e não dão fruto com perfeição1.” Não significa que estas pessoas não receberam a Palavra. Aqueles que não receberam a Palavra porque não a entenderam e Satanás imediatamente a roubou estão descritos na primeira categoria.
Ao contrário, estes descritos na terceira categoria tinham um coração aberto para a Palavra, mas também tinham – ou adquiriram ao longo da caminhada – um coração voltado para as coisas do mundo, especificamente os prazeres e cuidados deste mundo e o engano das riquezas. Estes são os espinhos que sufocaram a Palavra e a deixaram infrutífera. Embora vejamos que não basta ter a Palavra para produzir fruto. A Palavra por si só não se torna frutífera se os inimigos da Palavra - o cuidado deste mundo - (ou seja, se importar com as coisas que o mundo considera importante2), o engano das riquezas e os prazeres desta vida, não forem arrancados. Se não arrancarmos estas raízes o resultado será um cristão infrutífero, mundano. Ele pode ter recebido a Palavra originalmente e ter conhecimento da mesma, mas não há fruto em sua vida. Os cuidados do mundo que não foram deixados e desconsiderados fizeram este cristão infrutífero.
Realmente, como o Senhor deixou absolutamente claro é impossível servir a dois senhores. No longo prazo um deles terá que ser deixado:

“Nenhum servo pode servir dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar ao outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.” (Lucas 16:13)
E como Ele nos alerta novamente em Lucas 21:34:
“Olhai por vós mesmos; não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e aquele dia vos sobrevenha de improviso como um laço.”
E também João nos diz:
“Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não vem do Pai, mas sim do mundo. Ora, o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus, permanece para sempre.”(
1 João 2:15-17)
E Tiago, chamando aqueles adúlteros e adúlteras que se entregam às coisas do mundo, diz:
“Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.”(
Tiago 4:4)
Um adúltero é aquele que é casado com alguém, mas corre atrás ou cobiça alguém. Aqueles que correm atrás do mundo, em busca dos cuidados deste mundo, as riquezas, a dissipação e os prazeres da vida são também chamados de adúlteros. Por quê? Porque eles abandonaram Cristo, o noivo, e correram atrás do mundo.
De volta à parábola do semeador, aqueles mencionados na terceira categoria da parábola do semeador seguiram as riquezas ou serviam a dois senhores ( cuidados e prazeres deste mundo, etc.) e sendo assim, não podem servir também a Cristo.
Agora, a pergunta crítica é: Tais pessoas enquadradas nesta categoria de cristãos, que não dão frutos, permanecendo neste estado e não se arrependendo, poderão ainda entrar no Reino? Colocando de outra maneira: realmente importa, no que se refere a salvação, se a fé de alguém é ou não frutífera? Ou está tudo bem se alguém permite que a Palavra de Deus seja sufocada, e finalmente morta, pelo amor desta pessoa pelo mundo e suas paixões? É aceitável que alguém confesse a Jesus como seu Senhor e depois o abandone para servir a outros senhores? O que vai acontecer neste caso? Nós não precisamos pensar muito para obter a resposta. O próprio Senhor respondeu a esta pergunta há mais de 2000 anos atrás e nós fazemos muito bem em prestar atenção à Sua resposta. A propósito, a Sua resposta claramente se aplica também àqueles da segunda categoria desta parábola, ou seja, aqueles que acreditaram, “por um tempo”:

“Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o viticultor. Toda vara em mim que não dá fruto, ele a corta; e toda vara que dá fruto, ele a limpa, para que dê mais fruto. Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado. Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós sois as varas. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Quem não permanece em mim é lançado fora, como a vara, e seca; tais varas são recolhidas, lançadas no fogo e queimadas. Se vós permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e vos será feito. Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos.”(
João 15:1-8)
Eu creio que a resposta do Senhor não deixa espaço para dúvidas: a única forma de dar fruto é permanecer na videira, nEle. Pessoas que não dão fruto, não estão firmes na videira. E se isto não mudar, elas serão recolhidas como galhos secos e no fim, como diz o Senhor, serão queimadas. O que isto representa para aqueles da 3ª categoria (e também da segunda categoria) mencionada na parábola do semeador? Isto significa que se eles não se arrependerem, voltando a estar firmes na videira, e desta maneira produzindo os frutos que identificam um verdadeiro discípulo de Cristo, eles terão o mesmo fim dos galhos secos mencionados acima, ou seja, eles serão “recolhidos, lançados no fogo e queimados.” Eu sei que posso ter ofendido a alguns leitores neste ponto, mas fui eu quem disse isto? Não, eu não disse. Ao contrário é algo que o Senhor disse, falando aos Seus discípulos mais próximos, e na noite de sua prisão. Agora, o que Ele disse foi uma surpresa? O que Ele disse foi alguma coisa bizarra? Não, quando entendemos que um cristão verdadeiro NÃO é aquele que faz sua confissão de fé em Jesus e depois na prática abandona sua fé, ou na verdade nunca pratica o que havia confessado. Pelo contrário, um verdadeiro cristão é aquele que tenta viver, praticar a sua fé que uma vez fez, mesmo com todos os erros, desacertos e tropeços que venham a acontecer vivenciando sua caminhada. Se Jesus não for verdadeiramente nosso Senhor, embora o tenhamos confessado como Senhor de nossas vidas no passado, então é óbvio que não fomos honestos em nossa confissão originalmente, ou ela foi feita de modo genuíno no passado, mas não mais corresponde a nossa realidade no presente. Há apenas uma forma de medir se aquilo que confessamos é ou não verdadeiro: o fruto que nós produzimos em nossas vidas. E este só é possível se estivermos atados à Videira Verdadeira, que é Cristo. Vemos na passagem acima de João 15 o Senhor nos dizer: “esse dá muito fruto”– ou seja, QUE DEIS MUITO FRUTO - e assim sereis meus discípulos.” Portanto o fruto que produzimos é a prova se somos ou não verdadeiros discípulos de Cristo.
Na verdade o Senhor indicou este mesmo parâmetro, quanto ao fruto produzido, para nos ajudar a discernir entre os verdadeiros e falsos profetas:

“Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos; porém a árvore má produz frutos maus. Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má dar frutos bons. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.(
Mateus 7:15-20)
Muitos estão com medo de falar sobre o fruto, porque acham que isto minimiza a importância da graça. Mas isto não é verdade. Poderá uma macieira não produzir maçãs? Árvores produzem frutos, e uma vez cuidada, a semente da Palavra faz exatamente o mesmo: produz fruto. A fé vem primeiro, em seguida vem o fruto. O que pode ser mais estranho do que árvores que são supostas a dar frutos ainda permaneçam infrutíferas, que não produzem frutos? Podemos chamar tais árvores de saudáveis? Se você tivesse uma árvores destas no seu jardim e esperasse que ela desse fruto, como Deus espera que nós produzamos frutos, você diria que “isto não tem importância”? Acho que não.
Dar fruto é absolutamente natural para um Cristão e é absolutamente estranho quando falta. Como Efésios 2:8-10 deixa claro:

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas.”(
Efésios 2:8-10)
Nós não fomos salvos por obras, entretanto nós fomos criados para as boas obras. ”Ser criado para” significa que este é o nosso propósito, nosso destino. Dizendo de outro modo: carros são criados para levá-lo do ponto A para B. Os trens são “criados para” correr nos trilhos. A macieira “é criada” para produzir maçãs. De maneira análoga, “nós fomos criados em Jesus Cristo para as boas obras.” Assim sendo, Boas obras e fé andam lado a lado. Não faz realmente nenhum sentido dizer que cremos, que andamos em fé, e não importa se produzimos os frutos associados àqueles que estão na fé. É como dizer que temos um carro mas não importa se ele funciona ou não. Todos nós sabemos que isto importa.
As obras, sendo fruto de uma fé genuína, importam sim, e Tiago deixa isto claro em sua epístola:

“Que proveito há, meus irmãos se alguém disser que tem fé e não tiver obras? Porventura essa fé pode salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e tiverem falta de mantimento cotidiano. e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito há nisso? Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma.(
Tiago 2:14-17)
“A fé, se não tiver obras é morta em si mesma”, exatamente como o corpo sem o espírito é morto. Dizendo de outro modo, na verdade não existe falta de frutos, mas sim falta de fé verdadeira. A fé infrutífera é uma fé morta, e está claro que esta fé não leva alguém ao Reino de Deus!
Atendo-se um pouco mais quanto a questão crucial das obras, Paulo expressa várias vezes:

“aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus, que se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniqüidade, e purificar para si um povo todo seu, zeloso de boas obras.”(
Tito 2:13-14)

“Adverte-lhes que estejam sujeitos aos governadores e autoridades, que sejam obedientes, e estejam preparados para toda boa obra(
Tito 3:1)

“Ora, numa grande casa, não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de madeira e de barro; e uns, na verdade, para uso honroso, outros, porém, para uso desonroso. Se, pois, alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e útil ao Senhor, preparado para toda boa obra.”(
2 Timóteo 2:20-21)
E em 2 Timóteo 3:16-17
“Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra.”
As Escrituras, não existem para nos dar um conhecimento racional. Não existe para fazer do homem de Deus um teólogo teórico. A Bíblia está aqui para fazer o homem de Deus completo, frutífero, equipado para efetivar aquilo para o qual foi destinado: para toda boa obra.
Retornando a parábola do semeador, apenas a quarta categoria descrita na passagem produziu fruto:
“Mas outra caiu em boa terra; e, nascida, produziu fruto, cem por um....” Quanto a que caiu em boa terra, corresponde àqueles que ouvindo a palavra com coração reto e bom, a retêm e dão fruto com perseverança.”
A segunda e terceira categorias correspondem àqueles que ouviram a Palavra mas não a retiveram firme em seus corações. Mas esta categoria descrita, ouviu a Palavra e os mesmos se mantiveram fiéis com um coração bom e honesto, e produziram frutos com perseverança. Portanto, para produzir fruto, devemos reter a Palavra firmemente, ouvindo a Palavra com coração reto e bom, e dando fruto com perseverança. Esta é a chave. Se depois de recebermos a Palavra, permitirmos que outras coisas nos afastem da videira, então não produziremos fruto. Guardar o nosso coração com toda vigilância (exatamente como nos diz Provérbios 4:23), arrependendo-se de toda má obra, e renovando a sua mente para aquilo que a Palavra de Deus diz, é portanto crucial para que Palavra produza resultados.
Fechando este capítulo: Que todos nós possamos estar incluídos na quarta categoria e que nunca deixemos de estar firmes nesta posição. E também que todo aquele entre nós que não esteja nesta categoria possa voltar a posição correta, estando firme na videira e produzindo cada vez mais fruto para a glória a Deus, cujos frutos produzidos mostrem os discípulos que verdadeiramente somos. Que nós possamos nos examinar, e vendo espinhos, que corramos a extirpá-los, ao invés de simplesmente nos convencermos que podemos viver com eles. Nós não podemos fazer isto. São eles ou o Senhor. Um dos dois terá que ser deixado e nós temos que decidir qual escolheremos.


Notas de Rodapé

1. Para evitar mal-entendido, a frase "não dão frutos com perfeição" não significa que eles eram de alguma forma frutíferos. Isto é claro em Mateus 13:22 que nos fala que "e eles provaram ser infrutíferos.
2. Precisamos fazer um esclarecimento aqui: trabalhar para dar sustento a nossa família, não é um peso, ou um cuidado deste mundo que nos afastará de Deus! Na verdade é uma obrigação!No entanto ser um viciado em trabalho é um cuidado, um apego a este mundo que nos afastará de Deus! Basicamente “cuidados deste mundo” significa nos apegarmos, darmos valor ao que o mundo dá importância, fazendo dos interesses do mundo os nossos interesses e um modo de vida.
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