sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

A parábola do semeador



Autor: Anastasios Kioulachoglou

Para começar, vamos a um texto muito conhecido, que é a parábola do semeador, descrita em 3 dos 4 evangelhos. Vamos ler aqui o registro de Lucas:
“Saiu o semeador a semear a sua semente. E quando semeava, uma parte da semente caiu a beira do caminho; e foi pisada, e as aves do céu a comeram. Outra caiu sobre pedra; e, nascida, secou-se porque não havia umidade. E outra caiu no meio dos espinhos; e crescendo com ela os espinhos, sufocaram-na. Mas outra caiu em boa terra; e, nascida, produziu fruto, cem por um.” Dizendo ele estas coisas, clamava: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça...É, pois, esta a parábola: A semente é a palavra de Deus. Os que estão a beira do caminho são os que ouvem; mas logo vem o Diabo e tira-lhe do coração a palavra, para que não suceda que, crendo, sejam salvos. Os que estão sobre a pedra são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria; mas estes não têm raiz, apenas crêem por algum tempo, mas na hora da provação se desviam. A parte que caiu entre os espinhos são os que ouviram e, indo seu caminho, são sufocados pelos cuidados, riquezas, e deleites desta vida e não dão fruto com perfeição. Mas a que caiu em boa terra são os que, ouvindo a palavra com coração reto e bom, a retêm e dão fruto com perseverança.”(Lucas 8:5-8, 11-15)
Nós temos nesta parábola, todos resultados possíveis com relação a semente da Palavra de Deus. Como vemos na primeira situação conforme descrita na passagem, a Palavra nem mesmo penetrou no coração daqueles ouvintes. Eles não acreditavam na Palavra. Por outro lado, na segunda e terceira situação, a Palavra foi recebida no coração dos ouvintes, mas nenhum deles deu fruto. O por que disto, nós veremos nas seções seguintes. Por fim, a quarta categoria de solo, ou coração, foi a única que realmente ouviu e recebeu a Palavra e deu frutos. Neste capítulo, nosso foco será na segunda e terceira categorias descritas na parábola, porque muito se relacionam com o tema deste livro.

"As que caíram sobre a pedra"

Quanto a segunda categoria nós lemos:
“As que caíram sobre a pedra são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria; mas estes não têm raízes, apenas crêem por algum tempo, mas na hora da provação se desviam.”
As pessoas inclusas nesta categoria creram? A resposta do Senhor é sim, eles creram. Eles “creram por um tempo”, Ele disse. Então, notamos imediatamente que fé tem uma dimensão de tempo. Em outras palavras, o fato de alguém crer não significa necessariamente que vai continuar crendo até o fim de sua vida. Pode ser que a pessoa em questão tenha crido, mas “por algum tempo.” Uma vez que este “tempo” conforme mencionado, tenha se encerrado, esta pessoa não permanecerá na fé como aconteceu com as pessoas descritas nesta categoria de acordo com a passagem. Eles começaram bem, mas depois de “um tempo”, durante o tempo da tentação, ou perseguição por causa da Palavra (Marcos, 4:7) eles se desviaram. Muitos exemplos de pessoas que se enquadram nesta categoria vem a memória: pessoas que ouviram a Palavra, a aceitaram e depois partilharam a Palavra com seus parentes e amigos, mas foram rejeitados por eles. Ao invés de permanecer, eles desistiram e abandonaram a fé. Outros que tiveram um começo brilhante. Então uma tentação se levantou (pode ser qualquer coisa) e eles desistiram, ficando portanto ofendidos com Deus e Seu povo, e também partiram. Estas pessoas creram um dia, mas deixaram de crer. Na verdade a palavra em grego traduzida como “desviar, cair” é originalmente “aphistemi”, o que significa “ se retirar de algo ou de alguma coisa; deixar, cair, apostatar (Dicionário Vine). Então realmente, é possível que pessoas que uma vez creram, abandonem a fé, apostatem, devido a uma tribulação, ou tentação por causa da Palavra. Isto é exatamente o que aconteceu com a segunda categoria descrita na parábola do semeador. Deus foi em um determinado tempo a escolha na vida dessas pessoas, mas eles O deixaram, abandonaram a fé.
A pergunta crítica que se levanta neste momento é: Se estas pessoas não se arrependerem e voltarem a fé original, elas ainda assim serão salvas? Se nós acreditarmos na doutrina que estabelece “uma vez salvo sempre salvo”, elas serão salvas porque elas haviam crido anteriormente. O problema no entanto, é que a fé não é algo estático, algo que uma vez adquirido em algum momento, estará garantido que alguém nunca a deixará. Diferentemente disto, a fé possui uma dimensão temporal. E quando as pessoas desistem da fé, acreditando, mas apenas “por um determinado tempo”, eles desistem do que lhes foi prometido devido a sua fé, que é a salvação, a vida eterna. Porque verdadeiramente a salvação não é apenas pela graça, mas “pela graça por meio da fé.” A parte de Deus se refere a Graça, e a nossa parte se refere a fé. Ambas as condições têm que ser mantidas, e Deus sempre é fiel quanto a parte que Lhe cabe. Mas seja quem for que deixe a fé, olhando para trás, deixa para trás tudo que foi adquirido junto com a fé, incluindo, especificamente a promessa da salvação. O Novo Testamento tem diversas passagens que deixam isto muito claro e o propósito deste livro é trazê-las à tona.
Na tentativa de explicar as passagens mencionadas acima, alguns alegam que as pessoas enquadradas na segunda categoria conforme descritas na parábola do semeador nunca creram verdadeiramente. Eles defendem a ideia de que se estes tivessem realmente crido originalmente, nunca teriam caído e deixado de crer posteriormente. Mas obviamente esta concepção contradiz o que o próprio Senhor nos diz quando Ele explica esta parte da parábola. De acordo com Ele: “Os que caíram sobre a pedra são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria; mas estes não têm raiz, apenas crêem por algum tempo, mas na hora da provação se desviam.” Essas pessoas receberam a Palavra exatamente como eu e você: com alegria. E eles creram na Palavra. O Senhor não disse que eles fingiram acreditar, nem disse que fingiram aceitar a Palavra com alegria. Ao contrário, a fé dessas pessoas eram originalmente genuínas e real. Contudo, não durava. Ela durou apenas por um determinado tempo (Mateus 13:21). Então foi a duração da fé que foi o problema com essas pessoas e não se a fé existiu ou não no começo. Porque verdadeiramente eles creram, MAS apenas “por um tempo.”
Talvez isto possa explicar a agonia de Paulo ao saber sobre a situação da fé dos Tessalonicenses perseguidos (2 Tessalonicenses 1:4). 
Quando ele lhes diz:
“Pelo que, não podendo mais suportar o cuidado por vós, achamos por bem ficar sozinhos em Atenas, e enviamos Timóteo, nosso irmão, e ministro de Deus no evangelho de Cristo, para vos fortalecer e vos exortar acerca da vossa fé; para que ninguém seja abalado por estas tribulações; porque vós mesmo sabeis que para isto fomos destinados; pois, quando estávamos ainda convosco, de antemão vos declarávamos que havíamos de padecer tribulações, como sucedeu, e vós o sabeis. Por isso também, não podendo eu esperar mais, mandei saber da vossa fé, receando que o tentador vos tivesse tentado, e o nosso trabalho se houvesse tornado inútil. Mas agora que Timóteo acaba de regressar do vosso meio, trazendo-nos boas notícias da vossa fé e do vosso amor, dizendo que sempre nos tendes em afetuosa lembrança, anelando ver-nos assim como nós também a vós; por isso, irmãos, em toda a nossa necessidade e tribulação, ficamos consolados acerca de vós, pela vossa fé, porque agora vivemos, se estais firmes no Senhor.”(
1 Tessalonicenses 3:1-8)
Duas vezes em apenas algumas linhas Paulo fala de sua agonia. Ele sabia que os cristãos estavam sob perseguição e ele estava ávido em saber como estava a fé deles. Eles estavam firmes na fé? Quais eram as novidades sobre a fé deles? Boas ou ruins? Esta era a questão e Paulo esperava de Timóteo uma resposta. Portanto, fé não é algo imutável; alguma coisa que uma vez adquirida por você, está garantido que você a terá para sempre. Se fosse assim, Paulo não se preocuparia. Ou seja, se fosse desta forma, uma vez que eles haviam acreditado originalmente, eles sempre estariam na mesma fé, independentemente das tentações e perseguições. Mas não é assim. O propósito do tentador, o diabo, é de tentar a nossa fé, para que nos desviemos de Deus e seu povo, e finalmente abandonemos a fé. Resumindo, o propósito dele é nos devorar ( 1 Pedro 5:8). O fato de termos conseguido nos manter firmes diante da tribulação, não significa que faremos o mesmo depois de vivenciarmos a tribulação e a tentação. Temos que decidir. Deus vai nos apoiar e segurar, mas também temos que nos manter firmes, temos que decidir ficar com Ele, independentemente de quaisquer circunstâncias. Alguns fazem isto, mas outros não. Aqueles que não o fazem, caem, e se desviam da fé. Eles podem não dizer publicamente, mas na verdade eles não se importam mais. Eu acredito que qualquer um que professe a fé por algum tempo sabe de alguns exemplos parecido. Mas, passemos agora para a terceira categoria da Parábola do semeador.

↠Continua
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