domingo, 11 de dezembro de 2016

Conheça o Padre Aplas, primeiro mártir dos Estados Unidos que serviu na Guatemala

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Religioso construiu uma cooperativa de agricultores, um colégio, um hospital e a primeira estação de rádio católica, a qual poderia levar catequese aos lugares mais afastados.

 

Stanley sentiu desde muito jovem o chamado de Deus a ser sacerdote. (Reprodução)

Os Estados Unidos terão em breve o seu primeiro mártir beatificado pela Igreja Católica, pois o Papa Francisco assinou no dia 2 de dezembro o decreto no qual reconhece o martírio do Pe. Stanley Francis Rother, natural da pequena população de Okarche, em Oklahoma, e assassinado na Guatemala em 1981, onde era conhecido como o Padre Aplas ou Padre Francisco.Em Okarche, a paróquia, o colégio e as granjas eram os pilares da vida comunitária. O pequeno Stanley frequentou durante toda a sua vida o mesmo colégio e morou com a sua família até entrar no seminário.
Rodeado de bons padres e de uma intensa vida paroquial, Stanley sentiu desde muito jovem o chamado de Deus a ser sacerdote. Apesar disso, este jovem teve que lutar depois de ficar reprovado em muitos cursos antes de terminar os estudos do seminário Mount St. Mary’s, em Maryland. 
Ao escutar as lutas do jovem Stanley, a irmã Clarissa Tenbrick, que foi sua professora quando estava na quinta série, escreveu-lhe para incentivá-lo e recordou que São João Maria Vianney, Padroeiro dos sacerdotes, também tinha experimentado esse tipo de lutas no seminário. 
“Eles eram homens simples que sentiram o chamado ao sacerdócio e alguém tinha que autorizá-los para que completassem os seus estudos e se tornassem sacerdotes”, disse em entrevista a ‘Catholic News Agency’, Maria Scaperlanda, autora do livro ‘The Shepherd Who Didn’t Run’, (O pastor que não saiu correndo), uma biografia deste mártir. “Eles trouxeram consigo bondade, simplicidade e um coração generoso em tudo o que faziam”, assegurou a autora.
Quando Rother ainda estava no seminário, o então Papa João XXIII pediu às dioceses dos Estados Unidos que enviassem assistência e estabelecessem missões na América Central.
Foi assim que as dioceses de Oklahoma City e Tulsa, também no estado de Oklahoma, estabeleceram uma missão em Santiago Atitlán (Guatemala), uma comunidade rural com poucos recursos, cuja população é principalmente indígena.
Poucos anos depois de ordenado, o Pe. Rother aceitou o convite de se unir a esta equipe missionária, onde passaria os 13 anos seguintes de sua vida.
Ao chegar à missão dos índios maias de Tz’utujil, não tinham na vila um nome parecido a Stanley, por isso começaram a chamá-lo de Padre Francisco.
O sacerdote tinha aprendido quando era jovem, na granja da sua família, a ética de trabalho que serviria muito neste novo local. Como sacerdote missionário, foi chamado não só para celebrar a Missa e administrar os sacramentos, mas para ajudar em tarefas simples como consertar caminhões ou trabalhar nos campos.
Construiu uma cooperativa de agricultores, um colégio, um hospital e a primeira estação de rádio católica, a qual poderia levar catequese aos lugares mais afastados.
“É surpreendente como Deus não esquece nenhum detalhe”, relata Scaperlanda. “O mesmo amor pela terra e esse pequeno povo onde todos se ajudavam entre eles, tudo o que aprendeu em Okarche é exatamente o que necessitou quando chegou a Santiago”, indica.
“O Padre Francisco também era conhecido por sua amabilidade, o esquecimento de si mesmo, por ser uma pessoa alegre e por estar sempre presente entre seus paroquianos. Dezenas de fotos mostram crianças sorrindo e correndo atrás dele e segurando suas mãos”, afirma a autora.
“O Padre Stanley tinha uma disposição natural a compartilhar o trabalho com eles, a partilhar o pão e a celebrar a vida com eles, o que fez com que a comunidade na Guatemala dissesse que o Padre Stanley ‘era nosso pai’”, diz sua biógrafa.
Com o passar dos anos, a violência da guerra civil da Guatemala chegou àquela que antes era uma aldeia pacífica. Logo começaram a fazer parte da vida diária os desaparecimento, os assassinatos e o perigo, mas o Pe. Rother permaneceu firme e apoiando seu povo.
Nos anos de 1980 e 1981, a violência chegou a um ponto quase insuportável e o sacerdote via como seus amigos e paroquianos eram sequestrados ou assassinados.
Em uma carta aos católicos de Oklahoma durante aquele que foi o seu último Natal, o sacerdote compartilhou os perigos que enfrentava diariamente em sua paróquia e em sua missão. 
“A realidade é que estamos em perigo. Mas, não sabemos quando ou de que maneira o governo usará suas forças para reprimir a Igreja... Por esta situação, confesso que não estou pronto para sair daqui agora... mas se este é meu destino, eu daria minha vida por esta aqui (...) Ainda existe muito bem que pode ser entregue também sob estas circunstâncias”.
O sacerdote terminou a sua carta com a frase que se tornou aquela que, a partir de então, acompanharia a sua assinatura:
“O pastor não pode sair correndo frente ao primeiro sinal de perigo. Reze por nós, para que possamos ser um sinal do amor de Cristo para nossa gente, para que nossa presença entre eles possa fortalecê-los para que eles suportem estes sofrimentos em preparação para o Reino de Deus que já chegará”.
Em janeiro de 1981, quando se encontrava em perigo e seu nome estava dentro de uma lista de supostos mortos, o Pe. Stanley Rother voltou para Oklahoma por alguns meses. Mas, quando se aproximava a Páscoa, decidiu voltar e passar a Semana Santa com seu povo na Guatemala.
Na manhã do dia 28 de julho de 1981 e três “ladinos” – homens que massacravam indígenas e camponeses da Guatemala desde a década de 1960–, invadiram a reitoria.
Como não queria colocar em perigo a vida dos outros na missão da sua paróquia, o Padre Francisco lutou, mas não pediu ajuda. Depois de 15 minutos, escutaram dois tiros. Mataram o sacerdote e os assassinos foram embora da terra de missão.
Maria Scaperlanda, que trabalhou na causa de canonização do Pe. Rother, afirma que o sacerdote é um bom testemunho e exemplo: “ele dava comida aos famintos, acolheu o forasteiro, visitou os doentes, consolou os aflitos, suportou pacientemente os desconfortos, sepultou os mortos”. 
“Sua vida também é um grande exemplo de como as pessoas que vivem uma vida ordinária são chamadas a fazer coisas extraordinárias por Deus”, assegura a biógrafa. 
“O que mais me impressionou da vida do Padre Stanley foi a sua simplicidade”, conclui.
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