segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Papa com os luteranos: o impossível se torna realidade

[domtotal]
Por Stefania Falasca


No dia 31 de outubro, o Papa Francisco comemora o início da Reforma, em Lund, na Suécia, junto com os luteranos, um evento sem precedentes.



O que parecia impossível tornou-se possível hoje. Ao 31 de outubro se passaram exatamente 500 anos desde aquele divórcio interno aos cristãos representado pela Reforma Luterana. E, no dia 31 de outubro, o Papa Francisco comemora o início da Reforma, em Lund, na Suécia, junto com os luteranos, recolhendo para o presente e para o futuro o fruto surpreendente de um intenso diálogo ecumênico que começou há meio século, em 1967, entre a Igreja de Roma e a Igreja Luterana.
O evento de Lund é histórico, porque uma comemoração conjunta não tem precedentes.
Qual é o significado desse evento? "Nesse percurso de diálogo, reconciliamo-nos e reconhecemo-nos como irmãos e irmãs unidos na fé a Cristo. Um processo que nos fez compreender a história de forma diferente. E, no contexto em que vivemos hoje, em um mundo fragmentado, ferido por conflitos, eu acredito que o testemunho de reconciliação e de comunhão entre os cristãos, o fato de luteranos e católicos expressarem diante do mundo a misericórdia e o perdão, é um testemunho poderoso de Cristo ao mundo, e eu acho que pode se tornar uma grande contribuição."
São as palavras do reverendo Martin Junge, secretário-geral da Federação Luterana Mundial, com as quais ele resumiu o significado dessa 17ª visita papal, falando nessa quarta-feira na conferência de imprensa realizada no Vaticano sobre o próximo compromisso ecumênico do Papa Francisco na Suécia.
Junto com o cardeal Kurt Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Junge refez assim os traços importantes do diálogo teológico levado adiante com a Comissão para a Unidade dos Cristãos, que levou à realização dessa comemoração:
"Nos anos 1980, ninguém jamais acreditaria que encontraríamos um acordo sobre o ponto fundamental da justificação, mas, em vez disso, nós o encontramos – explica –, e se alguém nos tivesse dito apenas alguns anos atrás que teríamos uma comemoração comum entre luteranos e católicos da Reforma, muitos diriam: impossível. Esses eventos dão coragem, porque dizem que muitas coisas consideradas impossíveis podem se tornar possíveis."
O cardeal Koch também enfatizou que, no passado, a recordação da Reforma sempre teve "tons triunfalistas e polêmicos. Não se trata, por isso, de celebrar, de festejar a divisão, mas, ao contrário, de agradecer por tudo o que, desde então, nos une, em comunhão de Cristo".
O Papa Francisco – acrescentou o reverendo Junge – está dando continuidade ao caminho dos seus antecessores, que levou à Declaração Conjunta sobre a Justificação, em 1999, marco do diálogo ecumênico, e, em 2013, ao documento "Do conflito à comunhão", levando adiante o seu fruto com um potencial para continuar trabalhando juntos também no plano prático no serviço ao próximo.
A comemoração ecumênica conjunta luterano-católica será realizada em dois momentos: começará no dia 31 de outubro, com uma liturgia na antiga Catedral de Lund, e continuará com um evento público no Estádio de Malmö. Na Catedral de Lund, será realizada uma cerimônia de oração comum. O Estádio de Malmö será o cenário onde se desenvolverão as atividades dedicadas ao compromisso do testemunho e do serviço comum de católicos e luteranos no mundo.
Serão apresentados aqui também os aspectos mais importantes do trabalho comum do Serviço Mundial da Federação Luterana Mundial (LEF World Service) e da Caritas Internationalis, do cuidado dos refugiados ao serviço da paz e à defesa da justiça climática, que esses dois órgãos de caridade desempenham em todo o mundo a serviço da humanidade sofredora.
O deslocamento do Papa Francisco de Lund ao Estádio de Malmö será de van, junto com o presidente e o secretário-geral da Federação Luterana Mundial, o bispo Munib Younan e o reverendo Martin Junge, com o cardeal Kurt Koch, informou o diretor da Sala de Imprensa vaticana, Greg Burke. "Viajar juntos: esse também quer ser um sinal ecumênico", disse Burke.
No Estádio de Malmö, estão previstos quatro testemunhos. Depois, seguirão os discursos do bispo Younan e do Papa Francisco, enquanto, no dia seguinte, será celebrada a missa com a pequena comunidade católica sueca.

Avvenire / IHU - Tradução: Moisés Sbardelotto.

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jbpsverdade:Não estou aqui para julgar, mas para fazer uma pergunta... Será que isso é possível, fazer com que eles professem a mesma fé que nós, católicos apostólicos romanos? me recorda o que o apóstolo João escreve em uma de suas cartas, a saber: Filhinhos, esta é a última hora. Vós ouvistes dizer que o Anticristo vem. Eis que já há muitos anticristos, por isto conhecemos que é a última hora. Eles saíram dentre nós, mas não eram dos nossos. Se tivessem sido dos nossos, ficariam certamente conosco. Mas isto se dá para que se conheça que nem todos são dos nossos. (I Jo 2, 18s), Lutero pertencia a Igreja, no entanto, se revoltou e saiu demonstrando assim que não era um dos nossos, nunca pertenceu à Igreja de Cristo.
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