terça-feira, 18 de outubro de 2016

Cardeal Pie: a ousadia do Anticristo tentará os fiéis para a ‘religião nova’ do relativismo

[aparicaodelasalette]
Por Luis Dufaur

“O desabrochar do Anticristo se fará conhecer vendo os homens malvados exultantes e reverdecidos”.
Os homens adorarão a besta da Terra e a Besta do mar, Museo Paul Getty

Pois é preciso dizê-lo, na medida em que as sociedades irão se divorciando do cristianismo, o papel dos homens de bem, dos homens de fé, tornar-se-á cada vez mais impossível.
Ouvi ainda o nosso Santo Doutor [Santo Hilário de Poitiers]. Ele fala desses últimos tempos que Nosso Senhor anunciou que se aproximam e sinalizou seu caráter com a figura da figueira cujos galhos começam a amolecer.
“Com efeito, diz ele, se saberá que o Anticristo começa a despontar, a brotar: Antichristus autem frondescere noscetur; o desabrochar do Anticristo se fará conhecer vendo os homens malvados exultantes e como que reverdecidos: Antichristus autem frondescere quadam peccatorum exultantium viriditate noscetur.

“Pois haverá então uma nata de malvados, uma elite de perversos; e todas as vantagens, todos os favores e toda a consideração serão concedidos aos irreligiosos: Erit enim tum flos criminosorum, et honor facinorosorum, et gratia profanorum (Comment, in Matth., XXVI, 2)”.

Todo o texto que acabo de citar é digno de destaque; a última pincelada exprime ao vivo certas disposições, certas tendências que não são estranhas em nosso tempo: et gratia profanorum.

Em todos os povos do mundo, o sagrado foi colocado por cima do profano; e, em todas as nações cristãs, a ordem sacerdotal obteve a preeminência.

Naqueles tempos, pelo contrário, a suprema injúria para um homem do mundo, o motivo irremissível de exclusão, será ser reputado e qualificado de clerical; enquanto as melhores oportunidades, o título principal para um batizado obter favores e dignidades será o de ter-se conservado o mínimo possível preocupado com o seu batismo e se instalar na esfera do livre pensamento, da moral independente, a fim de ganhar uma posição entre os irreligiosos.


O que eu estou dizendo?

“Não olheis para nossos pecados. Não suportamos mais a Lei. Falai o que nós gostamos”
Ottheinrich-Bibel, Bayerische Staatsbibliothek, Cgm 8010, Folio300r_Rev17.

Será feito algo à maneira de uma religião nova, no seio da qual o irreligioso se tornará de alguma maneira sagrado e se arrogará uma missão transcendente.
O sinal típico dessa geração será ser anticlerical, de acordo com esta palavra do Senhor a seu profeta:
Populus enim tuus, sicut hi qui contradicunt sacerdoti (Ose. , IV, 4)
Contradizer, ridicularizar o sacerdote será a glória dessa época: glória tristemente ganha e duramente paga.
É por isso que eu quero vos dar a satisfação de ouvir uma segunda vez o texto de nosso doutor: Antichristus autem frondescere quadam peccatorum exultantium viriditate noscetur. Erit enim tum flos criminosorum, et honor facinorosorum, et gratia profanorum.
Ora, meus caríssimos filhos, qual será o dever da Igreja nesses tempos?
Não faltarão os filhos da mentira, os filhos que não querem ouvir a Lei de Deus: filii mendaces, filii nolentes audire legem Dei.
Tampouco faltarão os homens honestos, mas pusilânimes, que dirão aos que percebem as coisas: ‘Não olheis’: qui dicunt videntibus : Nolite videre; e àqueles que olham: ‘não olheis para nós no que se refere à boa ordem’: et aspicientibus : Nolite aspicere nobis quœ recta sunt. Não podemos mais carregar aquilo que é ordenado. Falai para nos dizer as coisas de que gostamos: Loquimini nobis placentia.
E se vós olhardes, que seja para ver junto conosco, como nós, para consagrar nossos erros: Loquimini nobis placentia, videte nobis errores (Joann., XVI, 13).



(Autor: Cardeal Louis-Édouard-François-Desiré Pie (1815 – 1880), “Discours prononcé à Rome, dans l'église de Saint André della Valle, 14janvier 1870, en la fête de l’évêque de Poitier et Docteur de l'Eglise”, in Oeuvres de monseigneur l'évêque de Poitiers, Tomo 6, Bibliothèque Nationale de France)
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