quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Os gestos e as posições do corpo na Missa

[afeexplicada]


Neste texto vamos falar das posições do corpo na liturgia, enfocando em especial a Missa, com todo o simbolismo que confere as posições para cada momento da celebração. A linguagem religiosa distingue-se pelo fato de ser uma linguagem onde participa o homem todo. o homem todo é um ser religioso.
Sem dúvida a palavra é a forma mais comum do homem se comunicar. Além da palavra, no entanto, ele faz uso freqüente de gestos e atitudes do corpo. É o que acontece também na Liturgia. Importante é que numa assembléia esta linguagem se faça de modo que seja uma expressão comum. Que haja certa unidade. Para que essa linguagem possa realmente ser uma expressão de fé de toda a comunidade convem conhecer o significado dos principais gestos que ocorrem na Liturgia.

1 – Inclinações

Temos as inclinações de cabeça e do corpo. São fundamentalmente gestos de reverencia e de respeito. Inclinamos a cabeça na hora quando ocorrem os nomes de Jesus e de Maria e do Santo do dia. O sacerdote inclina a cabeça na hora em que profere as palavras deu graças da consagração.
A inclinação do corpo é outro gesto de reverencia, de humildade, de devoção e de saudação. Ocorre na saudação do altar, quando sobre ele não estiver o Santíssimo Sacramento, na oração após ter colocado as oferendas sobre o altar, pedindo a Deus de coração contrito e humilde que estejamos acolhidos pelo Senhor; durante a Oração Eucarística I quando pede humildemente que a oferta seja levada a presença de Deus.

2 – Gestos com as mãos

O homem ao falar costuma fazer gestos com as mãos, procurando desta forma comunicar melhor a sua mensagem. Muitas vezes, mesmo não acompanhados de palavras eles são mais eloqüentes do que as próprias palavras. As mãos falam. Expressam os sentimentos mais diversos. Vejamos alguns gestos. Comecemos com o juntar as mãos ou de ter as mãos unidas. O gesto litúrgico das mãos unidas é o de ter juntas as palmas das mãos. A forma de ter as mãos juntas entrelaçando os dedos , pertencem a devoção particular. È a posição do Celebrante, quando não profere orações estritamente presidenciais. Convém também aos fieis, sobretudo quando se aproximam da Santa Comunhão e aos acólitos a serviço do altar. Expressa recolhimento, devoção, oração. Duas mãos unidas simbolizam já por si só a atitude do homem em oração.
Mãos elevadas ou estendidas – é o gesto típico do Celebrante nas orações presidenciais como as Orações Coleta, os Prefácios e Orações Eucarísticas. Expressa atitude de louvor, de invocação. È a posição do orante, moderador entre Deus e os homens. A Igreja primitiva em sua arte apresenta muitas vezes esta figura nas catacumbas, uma mulher de braços elevados em oração. pode significar a Virgem consagrada, a Igreja em oração e toda a humanidade em oração. Ora na Santa Missa e na Liturgia em geral o Sacerdote representa toda a humanidade. As alturas simbolizam o divino, o sagrado, o próprio de Deus: o Celebrante ao mesmo tempo eleva as preces, os louvores e invoca os auxílios divinos, englobando as orações de toda a assembléia.
Impor as mãos – Um gesto bastante freqüente. É sinal de bênção e de reconciliação, de transmissão do dom do Espírito Santo.
Dar as mãos – Sinal de saudação fraterna, de unidade, de compromisso sagrado. Os noivos dão as mãos em sinal de consentimento, de união e de compromisso sagrado e apoio mútuo. O professando na Profissão Perpétua costuma proferir a formula de profissão nas mãos de seu superior. Um gesto de acolhimento e de compromisso. O mesmo faz o Diácono no dia de sua ordenação presbiteral quando promete obediência a seu Bispo. O costume que se esta introduzindo em nossas Assembléias de os fiéis darem as mãos na hora do Pai Nosso é algo de novo em matéria de gestos litúrgicos. As vezes se tem a impressão de brinquedos de roda. Parece que o gesto adiquire maior significação quando, ao se darem as mãos, os fiéis também as elevem até a altura dos ombros. O tempo dirá se tal gesto realmente se há de firmar na Liturgia. Temos ainda o abraço na saudação da paz, abraço que deveria manter sua nobre sobriedade do rito, sem cair na efusão de sentimentos subjetivos exagerados. Devemos perguntar-nos até que ponto este gesto de reconciliação e comunhão fraterna leva a assembléia a preparar-se para uma devota Comunhão sacramental.

3 – Elevar os olhos ao céu

É um gesto que também ocorre na primeira oração eucarística. Em momentos solenes de intensa expressão religiosa. Jesus eleva os olhos ao céu, expressando sua intima comunhão com o Pai. O homem é chamado a contemplar a Deus face a face. A Liturgia é de certo modo em antegozo dessa contemplação de Deus.

4 – O ósculo ou o beijo

Sinal de reverencia, de comunhão de amor. Na Liturgia ele ocorre sempre que se quer expressar uma atitude de saudação e afeto ao Cristo. Ora, se ele esta presente nos símbolos do altar, do Deus dos Evangelhos, na pessoa do cristão, quando em comunhão de vida com Cristo. Daí a saudação do altar no inicio e no fim do encontro da Assembléia eucarística; o beijo do Livro dos Evangelhos após a sua proclamação, o beijo na saudação da paz, onde o gesto for usual. Compreende-se também o sentido profundo do ósculo nupcial após o gesto do consentimento ou do rito das alianças. Enfim, o beijar a cruz em sinal de respeito, de amor, de gratidão na Liturgia da Sexta feira santa.

5 - O sopro

Na Liturgia antiga anterior a reforma conciliar este gesto era mais freqüente. Hoje ele permanece na bênção dos óleos de Quinta feira santa. O sopro simboliza a força, a ação do Espírito de Deus. Aquele sopro que fez o homem um ser vivente, o sopro que na História Sagrada representa a presença ativa de Deus, o sopro do Cristo ressuscitado a transmitir o Espírito do perdão e da paz. O Espírito da vida nova. O gesto expressa, portanto, uma consagração, a transmissão da força de Deus. Quando se usa o óleo nos Sacramentos, sua eficácia não está na unção em si, mas na ação do Espírito Santo.

6 – A genuflexão

Por excelência é um ato de adoração na Liturgia Latina. Por isso ela é feita diante do Santíssimo Sacramento e da cruz em certas ocasiões. A genuflexão diante da cruz não quer significar a cruz em si, mas o que ela representa, isto é, Jesus Cristo, nosso Deus, no mistério de sua morte e ressurreição. Até a reforma conciliar havia dois tipos de genuflexão, a simples e a dupla, isto é, com um só ou com os dois joelhos. Hoje permanece apenas a simples. A dupla foi abolida, mesmo diante do Santíssimo Sacramento exposto, conforme se lê na Instrução sobre o Culto Eucarístico fora da Missa.

7 – A Prostração

Um dos gestos corporais mais significativos na liturgia latina é a prostração. Ocorre nas ordenações de Bispos, Presbíteros e Diáconos, bem como na profissão perpétua dos religiosos. Trata-se de um momento solene na vocação do homem para o serviço da Igreja pelo ministério ou para a busca da caridade perfeita como religioso. Toda a Liturgia da Palavra da respectiva celebração evoca o ideal da vocação ao ministério ou da vocação religiosa. Vem depois do diálogo e o confronto com o ideal na homilia. Diante disso o vocacionado sente todo o peso e a responsabilidade de sua vocação diante de Deus e da Igreja. Tem consciência da sua fragilidade, de sua pequenez e incapacidade de corresponder à vocação por suas próprias forças. Consciente de tudo isso ele se prostra diante da força de Deus onipotente e bom, enquanto toda a assembléia se une em prece, rezando a Ladainha de todos os Santos. Invoca-se a misericórdia de Deus uno e trino, a Igreja se une aos Santos do Céu, intercedendo pelos ordenandos e professandos. Somente com auxílio da graça de Deus, somente através de Jesus Cristo e pela intercessão da Virgem Maria e dos Santos e com as preces da comunidade eclesial a garantir o seu apoio, os ministros de Deus e os religiosos poderão levar a bom termo a sua vocação. Onde for conveniente, em vez da prostação, os candidatos permanecerão ajoelhados. Percebemos, no entanto, que no caso, a prostação se apresenta como um gesto muito mais eloqüente do que permanecer de joelhos.
Temos ainda a prostação no início da celebração da Morte do Senhor na Sexta feira da Paixão. Neste dia, a Igreja como que não encontra palavras para iniciar a celebração. A Assembléia permanece em profundo silencio, enquanto os Ministros se prostam diante do altar. È um silencio que fala da dor, de profundo respeito e temor diante do Mistério da Paixão do Senhor. Também aqui o ficar de joelhos tiraria muito da eloqüência do rito.

8 – O andar

Existem modos de andar. O andar litúrgico não é mera finalidade de locomoção de um lugar para outro. É antes um andar significativo, respeitoso, composto. Por isso, diz a Instrução do Missal Romano: “ Entre os gestos incluem-se os movimentos do sacerdote que se aproxima do altar, da apresentação das oferendas e da aproximação dos fieis para receberem a comunhão. Convém que tais ações sejam realizadas com dignidade, enquanto se executam cantos apropriados, segundo as normas estabelecidas para cada uma (n. 22). Nada de agitação, de correria. Trata-se de um povo que caminha. Sobretudo na hora da comunhão a assembléia vive a realidade de um povo peregrino que se aproxima das fontes da salvação para prosseguir sua caminhada pelo deserto até à Terra Prometida.
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