quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Os fiéis pedem ao Papa clareza contra os ataques do mal

[abim]
Por Roberto de Mattei (*)

O monge apóstata, Martin Lutero, que promoveu a revolta contra a Igreja Católica com a Revolução Protestante. Como explicar uma comemoração em prol de tal heresiarca?

No mês de agosto, a Casa Santa Marta, no Vaticano, esvazia-se de seus hóspedes, mas o Papa Francisco, como nos três anos precedentes, passará todo o mês no Vaticano. Ele anunciou que renunciará até mesmo a um tradicional compromisso pontifício — o Congresso Eucarístico Nacional, que se realiza ano em Gênova de 15 a 18 de agosto —, mas que no dia 19 viajará a Assis para celebrar o trigésimo aniversário do encontro entre as religiões, organizado pela Comunidade Santo Egídio.
A comunicação não partiu da Sala de Imprensa do Vaticano, mas do imã de Perúgia, Abdel Qader Moh’d, em entrevista à TV 2000. O Papa Bergoglio se encontrará depois, de 30 setembro a 2 de outubro, com ortodoxos e muçulmanos na Geórgia e no Azerbaijão, e no dia 31 de outubro em Lund, na Suécia, com luteranos para comemorar o quinto centenário da Reforma protestante. Iniciativas ecumênicas constituem a bússola do seu pontificado, que parece propor-se o objetivo de construir uma plataforma comum entre as religiões, com o risco, advertido por muitos, de esvaziar o catolicismo e incentivar a criação de uma “superreligião” sincretista.
O almoço de 11 de agosto com 21 refugiados sírios chegados à Itália após a visita papal à ilha de Lesbos, dos quais apenas dois eram cristãos, se insere nessa perspectiva da “opção preferencial” pelos não-católicos. Esta estratégia exige a negação da existência de guerras de religião. No entanto, a Igreja sofre perseguições em todo o mundo. Dom Dominique Lebrun, Arcebispo de Rouen, manifestou a intenção de iniciar um processo de beatificação que leve ao reconhecimento do martírio do Padre Jacques Hamel, morto “por ódio à fé”, como muitos cristãos do nosso tempo.
Virá de Roma uma palavra de aprovação? Virá um aceno de apoio aos três bispos espanhóis processados criminalmente por criticarem a lei que promove a transexualidade, aprovada há pouco em Madrid? O Observatório espanhol contra a LGBTfobia denunciou ao Ministério Público o Bispo de Getafe, Dom Joaquín María López de Andújar, seu auxiliar, Dom José Rico Pavés, e o titular da Diocese de Alcalà, Dom Antonio Reig Plá, por “incitamento ao ódio e discriminação contra a comunidade homossexual”.
O monge apóstata, Martin Lutero, que promoveu a revolta contra a Igreja Católica com a Revolução Protestante. Como explicar uma comemoração de tal heresiarca? 
Mas o mal não tem limite. Autorizado pelas autoridades locais, um grupo satanista americano organizou uma missa negra pública, no Centro Cívico de Oklahoma City, em 15 de agosto [foto]. O arcebispo da cidade, Dom Paul Coakley, exortou os fiéis a pedir a intercessão de São Miguel Arcanjo, da Virgem Maria e de todos os anjos e santos, “para que o Senhor cuide de nossa comunidade e nos proteja do mal e de suas muitas manifestações destrutivas e violentas”.
Hoje, no entanto, não é apenas uma diocese americana que sofre os ataques do mal, mas toda a Igreja. Os fiéis se voltam desorientados para o Vigário de Cristo, rogando-Lhe demonstrar sua paternidade não apenas em relação aos distantes, mas também aos próximos, necessitados mais do que nunca de clareza e encorajamento neste momento histórico tempestuoso.
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(*) Fonte: “Il Tempo”, Roma, 14-8-16. Matéria traduzida do original italiano por Hélio Dias Viana.
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