terça-feira, 23 de agosto de 2016

Dois milênios após a morte de São Paulo, restauradores descobriram sua mais antiga imagem

[ipco]
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Arqueólogos no momento que desvendaram a pintura.

Em 19 de junho de 2009 foi descoberta a mais antiga representação conhecida de São Paulo. Ela se remonta ao fim do século IV.
Segundo informou a agência Zenit, foi localizada enquanto se praticavam escavações na catacumba de Santa Tecla, na via Ostiense, não longe da basílica do Apóstolo, fora das antigas muralhas de Roma.
Os arqueólogos limpavam com raios laser uma abóbada quando descobriram um exuberante afresco.
No centro estava representado o Bom Pastor. Em volta, tinha quatro círculos com as esfinges de São Pedro, São Paulo, e mais dos apóstolos.
Os arqueólogos Fabrizio Bisconti e Barbara Mazzei forneceram todos os detalhes da descoberta. Bisconti, que é secretario da Pontifícia Comissão de Arqueologia Sacra e presidente da Academia Pontifícia do Culto dos Mártires, ponderou que “pode ser considerado o ícone mais antigo do Apóstolo encontrado até agora”.
A imagem mais antiga de São Paulo descoberta em Roma.

O achado, entretanto, suscitou mal-estar entre aqueles ‒ inclusive “católicos de esquerda” ‒ que gostam dizer que a tradição da Igreja Católica baseia-se em mitos inverificáveis.
Na pintura, São Paulo aparece com um ar pensativo, olhar penetrante, a frente alta e barba em ponta.
Aquela face, uma vez indo a Damasco para perseguir os cristãos, viu subitamente Nosso Senhor que lhe apareceu envolvido numa nuvem de luz e o derrubou por terra.
“Saulo! Saulo! Por quê me persegues?” (Atos, 9, 4-ss)
Ele então perguntou:
‒ “Quem és, Senhor?”
‒ “Eu sou Jesus a quem tu persegues! Duro te é recalcitrar contra o aguilhão.”
“Quem és, Senhor? O que queres que eu faça?”

São Paulo tremeu. O sopro da graça há tempo vinha chamando o Paulo para se converter, e ele recalcitrava. E Nosso Senhor lhe disse:
“Levanta-te, entra na cidade. E aí te será dito o que deves fazer”. (Atos, 9, 4-ss)
O murro tinha valido. Paulo estava embasbacado e com medo. Levou um tranco que sacudiu sua alma.
Mas, respondeu com o radicalismo dele. Não perdeu tempo. Viu que estava errado, pôs-se logo ao serviço de Deus.
Saulo levantou-se cego! Foi tateando, passo ante passo, pé ante pé, sem saber se ficaria cego a vida inteira.
Ele, o grande Paulo, fariseu, excelente e ilustre, entrou como uma criança cega, conduzido por outro na cidade de Damasco.
A cena foi de uma violência peculiar. Pois, Paulo era, ele próprio, muito violento.
Prova disso é que quando Deus, em sonhos, aconselhou Ananias acolhê-lo.
Ananias respondeu, segundo os Atos dos Apóstolos (Atos, 9, 13-ss):
‒ “Senhor, muitos já me falaram deste homem, quantos males fez aos teus fiéis em Jerusalém. E aqui ele tem poder dos príncipes dos sacerdotes para prender a todos aqueles que invocam o teu nome.”
Mas Deus lhe respondeu:
‒ “Vai, porque este homem é para mim um instrumento escolhido, que levará o meu nome diante das nações, dos reis e dos filhos de Israel”.
Ananias então entrou na casa e pondo as mãos sobre ele, disse:
‒ “Saulo, meu irmão, o Senhor, esse Jesus que te apareceu no caminho, enviou-me para que recobres a vista e fiques cheio do Espírito Santo.”
São Paulo, uma vez convertido, confundia os judeus demonstrando que Jesus é o Cristo anunciado pelos profetas

E acrescentam os Atos dos Apóstolos:

“No mesmo instante caíram dos olhos de Saulo umas como escamas, e recuperou a vista. Levantou-se e foi batizado.
“Depois tomou alimento e sentiu-se fortalecido. Demorou-se por alguns dias com os discípulos que se achavam em Damasco.
“Imediatamente começou a proclamar pelas sinagogas que Jesus é o Filho de Deus.
“Todos os seus ouvintes pasmavam e diziam: Este não é aquele que perseguia em Jerusalém os que invocam o nome de Jesus? Não veio cá só para levá-los presos aos sumos sacerdotes?
“Saulo, porém, sentia crescer o seu poder e confundia os judeus de Damasco, demonstrando que Jesus é o Cristo.” (Atos, 9, 18-ss)
Quem sabe se esta descoberta não traz uma mensagem para nós, para o mundo.
Não precisaríamos de uma “queda” como a de São Paulo, uma chacoalhada providencial, para o mundo, nós mesmos, endereçar nossos caminhos e nos engajar pela causa da Igreja?
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