quarta-feira, 20 de julho de 2016

Valor da hospitalidade

[domtotal]
Por Dom Paulo Mendes Peixoto*

Quando realizamos uma boa acolhida, recebemos mais do que doamos.

 

Quem se doa deve ver o mistério de Deus nas pessoas e saber valorizá-las, porque nelas há dignidade.

O gesto da hospitalidade supõe a acolhida. A forma como acolhemos as pessoas, como damos atenção a elas, pode ser ocasião fundamental para exercitar o mistério do amor escondido na prática da hospitalidade. Foi por isto que Jesus valorizou mais a atitude de Maria do que a de Marta. Maria parou para ouvir o Mestre, e Marta ficou preocupada com as lidas da casa (Lc 10,38-42).
No livro bíblico do Gênesis encontramos também um modelo de acolhida e de hospitalidade. Abraão é recompensado porque soube acolher bem três homens enviados pelo Senhor. Eles anunciaram que, mesmo na velhice, sua esposa, Sara, teria um filho (Gn 18,10). Na hospitalidade está a generosidade de Deus. No transeunte, no pobre, naquele que bate em nossas portas, está a presença de Deus.
Quando realizamos uma boa acolhida, recebemos mais do que doamos. Alias, é mais gratificante doar do que receber. Servindo os mais necessitados, acontece um aparente esvaziamento, mas isto revela o mistério da hospitalidade, proporcionando recompensa divina, porque foi escolha a melhor parte, que ajuda a superar o individualismo e a praticar o dom da partilha.
Quem se doa deve ver o mistério de Deus nas pessoas e saber valorizá-las, porque nelas há dignidade, mesmo quando maltrapilhas e carentes de auxílio. Deus está nos pobres, e isto deve ser visto numa dimensão de fé comprometida com a vida. Significa que não é fácil ser hospitaleiro e acolhedor. É mais fácil despachar o pobre que batem em nossas portas!
Deus se manifesta na vida das pessoas e as confirma na esperança de ter uma vida melhor, seja aqui na terra, como na glória. Apesar do medo, do fechamento e do individualismo, encontramos gestos bonitos como verdadeiros testemunhos de atitudes cristãs. São os exemplos concretos que arrastam e confirmam as pessoas na prática do bem.
Lembrando Marta do Evangelho, corremos o perigo de muito ativismo, de fazer muita coisa e não sobrar tempo para o essencial, principalmente para a escuta da Palavra de Deus e a escuta da voz dos pobres. Os simples ouvem mais e estão sempre de coração aberto para colocar em prática o projeto do Reino de Deus. Isto reflete um coração generoso, simples e sensível.

CNBB 03-07-2016.

*Dom Paulo Mendes Peixoto: Arcebispo de Uberaba. 
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