domingo, 24 de julho de 2016

Maria Madalena, Apóstola que amava o Senhor

[domtotal]
Por Felipe Magalhães Francisco*

As tradições dos evangelhos conferem a ela um lugar singular: a Apóstola dos Apóstolos.

 


Maria Madalena amava Jesus. No Evangelho de João, no relato da Ressurreição do Filho de Deus, o texto narra que ela, na madrugada do primeiro dia da semana, tendo guardado o sábado, foi ao túmulo de Jesus e o encontrou sem a pedra. Correndo, foi ao encontro de dois dos discípulos contar que haviam tirado o corpo de seu Senhor do túmulo. Pedro e o outro discípulo correram ao túmulo e o encontraram como Madalena havia dito. Depois de entrarem e perceberem os vestígios da ausência, voltaram para casa. Maria Madalena permaneceu (cf. Jo 20,1-10).
Chorou a dupla ausência de seu Senhor: a primeira, por sua trágica morte; a segunda, pelo desaparecimento de seu corpo. Olhando para o túmulo, viu dois anjos, que a perguntaram o motivo pelo qual chorava. “Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram” (Jo 20,13). Voltando-se para trás, viu um homem, a quem pensou ser o jardineiro. O homem lhe faz a mesma pergunta feita pelos anjos. Ela não respondeu. Ao contrário, interpelou-o: “Senhor, se foste tu que o levaste, dizei-me onde o colocaste, e eu irei buscá-lo” (Jo 20,15). Quanto amor!
O homem, que era Jesus, chamou-a pelo nome: “Maria!”. Bastou a ela uma palavra, a sua palavra, para que reconhecesse seu Senhor. Reconheceu-o como “Mestre”, devotando-lhe seu amor de discípula. Quis agarrá-lo para si, para que nunca mais partisse. Jesus, porém, diz a ela para não retê-lo, pois seu lugar é junto do Pai. Confere a ela uma missão: “Mas vai dizer aos seus irmãos [...]” (Jo 20,17). Torna-se a Apóstola primeira da Ressurreição: “Eu vi o Senhor” (Jo 20,18).
As tradições dos evangelhos conferem a Madalena um lugar singular: a que amava o Senhor e a que se tornou Apóstola dos Apóstolos. O texto de João, que aqui rememoramos, traz elementos que nos levam a pensar o amor cantado no Cântico dos Cânticos: o jardim do encontro, lugar das delícias; o desejo do toque, da retenção do corpo, para que não haja mais separações; o reconhecimento pelo nome, lugar da intimidade. Madalena amava a Jesus, o seu Senhor e Mestre, pelo papel desempenhado por ele em sua vida: o reconhecimento de sua dignidade de pessoa, de mulher, de autêntica discípula.
Ao longo da história, muito se especulou sobre essa mulher ímpar. Contribuindo com um olhar histórico-teológico, o artigo Maria Madalena: “Àquela que é igual aos apóstolos”, do Pe. César Thiago, mestre em teologia, pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), possibilita-nos compreender as transformações da compreensão que se teve de Maria Madalena, ao longo da história da Igreja, e a importância de conferirmos a ela o lugar que Jesus mesmo a deu: de Apóstola da Ressurreição.
Hoje, 22 de julho de 2016, dia em que se comemora a vida feita amor de Madalena, e sua singular participação na Ressurreição de Jesus, a Igreja celebra de um jeito novo: já não como memória obrigatória, mas como Festa da Igreja, segundo motivação proposta pelo Papa Francisco. Ajudando-nos a compreender o que significa essa mudança litúrgica, e seus desdobramentos pastorais, o Pe. Danilo César, liturgista, pelo Pontifício Instituto Litúrgico Santo Anselmo, em Roma, e professor da PUC Minas, propõe-nos o artigo: Festa de Santa Maria Madalena, “Apóstola dos Apóstolos”.
Aos discípulos e discípulas de hoje, o amor de Madalena por Jesus e por sua missão é inspiração. Propondo-nos uma reflexão teológico-espiritual do que significa deixar-se encontrar por Jesus, tal como em Maria Madalena, a Ir. Ana Maria de Castro, PFSJ, mestra em teologia, pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), apresenta-nos o artigo: Maria Madalena, Apóstola do Ressuscitado, no qual nos oferece uma leitura bíblica e espiritual do papel de Maria Madalena, no anúncio da Ressurreição de Jesus, como inspiração para nosso apostolado, hoje.
Boa leitura!

*Felipe Magalhães Francisco é mestre em Teologia, pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia. Coordena a Comissão Arquidiocesana de Publicações, da Arquidiocese de Belo Horizonte. Coordena, ainda, a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). 
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