quarta-feira, 29 de junho de 2016

A Compaixão do Pastor em São Gregório Magno

[domtotal]
Por Dom Vital Corbellini*

O esforço do Monge e Papa Gregório é para que a sua vida seja um instrumento da graça de Deus.

Introdução

Estamos no ano da misericórdia como tempo de graça e de missão na nossa vida de seguidores e missionários de Jesus Cristo. Sendo pastores do povo de Deus necessitamos também nós vivermos a graça da compaixão para assim ter compaixão com os outros a exemplo de Jesus Cristo para com o seu povo. Vamos ver esses dados em São Gregório Magno, Monge e Papa que governou a Igreja de 590-604 em um de seus escritos, a Regra Pastoral. O Papa se preocupou muito com a atuação dos pastores para que fossem próximos do povo sem deixar de serem próximos de Deus. 

1. O valor da compaixão

Gregório fala da importância da compaixão do Pastor para com o seu povo a exemplo de Jesus de Nazaré. "Ele tenha uma atenção plena de compaixão para com cada pessoa". Essa atitude dá o diferencial de outras lideranças na sociedade. Ele não deixa de mencionar a importância da contemplação que o faz desapegar-se da terra mais que os outros. Aqui entra a bondade do pastor pois ele carregará a enfermidade dos outros. Pela altura da sua contemplação, se elevará acima de si mesmo sempre aspirando aos bens espirituais. O esforço dele é para que a sua vida seja um instrumento da graça de Deus. 
O Papa Gregório faz um jogo de palavras importantes para que em tudo haja o equilíbrio entre contemplação e ação evangelizadora: "Que, elevando-se, se cuide de não ser atento às misérias do próximo e, fazendo-se totalmente próximo das misérias do outro, se cuide de não abandonar as altas aspirações". Nós vemos na atualidade, a importância da contemplação e da ação na vida do pastor de almas. 

2. Seguindo Paulo

Gregório segue Paulo que viveu a Palavra de Deus e ação no mundo. "Introduzido nos segredos do céu não deixou de contemplar o quarto dos pobres seres de carne; o mesmo olhar do coração, elevado ao alto e que fixa o olhar sobre as realidades invisíveis, ele o abaixa, cheio de compaixão, na direção dos segredos das fraquezas humanas". Vemos a vida do pastor não separada de seu povo e ao mesmo tempo a necessidade de viver a dimensão espiritual, da oração, da eucaristia e da palavra de Deus. Sua contemplação ultrapassa o céu, e sua solicitude não se desinteressa do leito dos esposos; unido pelo laço da caridade ao que está no alto e ao que está embaixo, ele é, em si mesmo, arrebatado com poder pela força do Espírito, e nos outros, pela compaixão, experimenta a fragilidade.

3. Jacó, a escada

Gregório colocou em suas considerações o exemplo de Jacó que viu no alto uma escada para o Senhor e embaixo uma pedra unta de óleo e anjos que subiam e desciam (Cf. Gn 28,11-18). Os pregadores disse Gregório, se elevam ao alto pela contemplação para Aquele que é a cabeça santa da Igreja, isto é, o Senhor Jesus Cristo, e pela miséria que os anima descem também até os membros que estão embaixo. 

4. Moisés, a tenda e a sua ação

Moisés foi o homem que entrava na tenda e saia. Ele era arrebatado pela contemplação e quando estava fora, era pressionado pelas necessidades das pessoas que sofriam mais que ele. Dentro, meditava os segredos de Deus; fora carregava o fardo das pessoas pobres e necessitadas. Nas suas dúvidas, retornava sempre à tenda e diante da Arca da Aliança consultava o Senhor. Dessa forma, os pastores são convidados a consultar o Senhor na Tenda, pela oração, diante do sacrário, nas páginas do livro sagrado em vista de solução das suas dúvidas, correspondendo dessa forma, ao povo de Deus a ele confiado. 

5. Seguindo Jesus

Gregório tem presente Jesus, o Pastor da compaixão. Ele ao assumir a nossa humanidade se revelou o enviado do Pai. Ao se imergir na oração sobre o monte e nas cidades exerceu a sua atividade prodigiosa, sendo o Homem da compaixão. Assim Jesus torna-se o exemplo para os pastores que se pela contemplação saboreiam já os bens eternos, devem, pela compaixão se ocuparem das necessidades dos fracos. Na verdade lança-se a caridade para as alturas no momento em que se deixa atrair para baixo, para as misérias do próximo, de modo que essa descida junto às fraquezas, retome com força seu impulso para as alturas como Senhor Jesus.
O Senhor nos dê um coração cheio de compaixão para viver a Palavra de Deus junto às pessoas mais necessitadas que nós. Vivamos a unidade ligados à eucaristia, pela contemplação e pela ação evangelizadora. 

CNBB, 14-06-2016.

*Dom Vital Corbellini: Bispo de Marabá (PA).
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