sexta-feira, 13 de maio de 2016

Linguagem do amor

Por Dom José Alberto Moura*

A fé só tem efeito quando nos dispomos a cooperar com a ação divina.


Não seremos julgados porque fizemos muitos ritos e orações, mas por colocarmos em prática o amor.

Cinqüenta dias depois da ressurreição de Jesus aconteceu o Pentecostes. O Espírito Santo veio sobre os Apóstolos reunidos, juntamente com a Mãe de Jesus, em forma de línguas de fogo. Depois disso os discípulos se encheram de coragem e saíram para executar a missão dada pelo Mestre, ensinando a todos sobre quem é a pessoa dele e seus ensinamentos.
Alguns se preocupam em fazer alguns ritos, orações e manifestações religiosas, usando até superstições, julgando que isso é o que faz obter favores especiais do Espírito Santo. No entanto, este mesmo Espírito nos ajuda a realizar o bem. Não merecemos sua ajuda porque fazemos esses tipos de ações e gestos e sim porque, como Deus, Ele quer o nosso bem. O melhor é seguir suas inspirações para realizar o que o Filho nos ensinou. A fé só tem efeito quando nos dispomos a cooperar com a ação divina. Leva-nos a colocar valor na prática do amor, do serviço, da promoção da justiça e do bem das pessoas e da sociedade como um todo. Não seremos julgados porque fizemos muitos ritos e orações e sim porque colocamos em prática o amor ao semelhante, que nos leva a promover sua vida de qualidade humana. Deste modo, realizamos o desenvolvimento da família como instituição sagrada, da inclusão dos deixados de lado no convívio social, da ação política adequada à sustentação do bem comum... Preces, sacrifícios, orações e ritos, quando bem focalizados e não supersticiosos, são meios importantes que devemos usar para fortificar nossa fé. Mas eles devem nos levar à conseqüente prática do amor e da justiça, para merecermos de Deus os favores necessários à nossa salvação.
Paulo lembra que os dons do Espírito Santo são outorgados a cada um, mas em vista do bem comum (Cf. 1 Coríntios 12, 3-7). Esse Apóstolo adverte que, mesmo a pessoa tendo dons especiais, como o da profecia, o de falar em línguas diferentes e tantos outros, se não viver o dom do amor, nada adiantaria (Cf. 1 Coríntios 13,1-13). Ele explicita sobre como atuar com esse dom, ou seja, ter a prática da paciência, da superação da inveja, do rancor, do egoísmo, da injustiça, do ressentimento, da mentira... (Cf. 1 Coríntios 13,1-13)
Não vale só buscar na Bíblia frases que nos convêm. Precisamos buscar o cerne da verdade e da sustentação do amor absoluto indicado nela por Deus. Por isso, ligamos alguns pontos com o todo da verdade bíblica. Jesus resume tudo na prática do amor a Deus e ao próximo. Sem isso não entendemos nem absorvemos os porquês de Deus indicadas nas Escrituras Sagradas. Em Jesus temos toda a realização das promessas de Deus apresentadas na experiência de seu povo dentro das narrativas bíblicas. Assim, nossa fé somente é completa quando unimos o culto ao Criador com a prática da caridade e da justiça misericordiosa em relação ao semelhante. Muitos podem não ter a explicitação da fé na manifestação de ritos religiosos, mas podem ter o dom do Espírito Santo na prática da justiça e da caridade. Se tivermos a graça da fé, explicitada na ação de culto, teremos também de ser conseqüentes na vivência do amor ao semelhante, que nos leva a nos sacrificar pelo bem dele.
Antes da subida ao céu Jesus frisa bem a missão dos discípulos, enviando-os para ensinarem a todos a seguirem seu exemplo e a vida de amor e de paz (Cf. João 20,21-22).

CNBB, 11-05-2016.

*Dom José Alberto Moura: Arcebispo de Montes Claros (MG).
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