segunda-feira, 4 de abril de 2016

Heresiarcas de hoje e de outrora

[ipco]
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O ângulo de visão doutrinário em que nos situamos no confronto de hoje é o de Leão XIII em sua profunda e luminosa Encíclica sobre a História, intitulada Parvenu à la vingt cinquième année.
Ensina o grande Pontífice que todo o progresso do Ocidente cristão jamais teria existido sem a ação sobrenatural da Igreja. Foi Ela que elevou a humanidade ao alto nível moral que atingiu na Idade Media; foi Ela que ensinou aos povos os princípios da sabedoria política e social de que decorreu o aparecimento da civilização justamente dita cristã; foi em Seu regaço que a teologia, a filosofia, as artes e a vida de sociedade floresceram.
A eclosão do protestantismo no século XVI representou a primeira revolta vitoriosa da humanidade contra a Igreja de Deus. A Igreja prega a submissão da razão à Fé; a subordinação do povo fiel à Hierarquia Sagrada; a pureza dos costumes em sua forma mais sublime, isto é o casamento monogâmico e indissolúvel e a castidade perfeita para os que não vivem no estado de casados. O protestantismo ensinou a escravização da Fé à razão, do governo eclesiástico ao povo, aboliu o celibato dos clérigos e instaurou o divórcio. A Revolução francesa foi, no séc. XVIII, o prolongamento do protestantismo. Proscreveu todos os cultos, proclamou a soberania da razão, estendeu o divórcio aos países católicos, e colocou todos os poderes civis na dependência do povo soberano, precisamente como o protestantismo colocara na dependência do povo os órgãos de direção eclesiástica. O comunismo é, nos séc. XIX e XX o prolongamento e o paroxismo desta tendência: igualdade absoluta até no terreno econômico, ateísmo radical, amor livre. Em suma, três revoluções que são apenas três etapas na marcha do mundo para um abismo profundo.
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Como é natural, estas sucessivas catástrofes foram produzindo gradualmente seus efeitos nos ambientes, nos costumes, em todo o transformar-se da civilização. As heresias e os heresiarcas, considerados em ordem cronológica, foram sendo cada vez mais depravados de alma ou de corpo, mais escandalosos, piores. É que à medida que c processo de decomposição se acentua, mais ativos se tornam seus sintomas. E à medida que a impiedade se torna ou se supõe mais estável em seu triunfo, tanto mais livremente vai mostrando sua verdadeira fisionomia.
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Aqui temos, pelo pincel de Lucas Cranach Senior, um grupo de homens com toda a aparência exterior da gravidade, da compostura, do recolhimento: da esquerda para a direita, Lutero, João Ecolampadio, Frederico o Magnânimo, Eleitor da Saxônia, Zwinglio e Melanchton, ou seja, os homens que inundaram de sensualidade a Alemanha, a Suíça, o mundo. Mas ainda havia entre os próprios hereges resíduos de moralidade, remanescentes de influência católica: o povo não seguiria lideres religiosos que não conservassem algumas aparências de recolhimento e gravidade.
Estes resíduos de influência católica ao que estão reduzidos atualmente, em certos ambientes? Praticamente a zero. E o espírito dos heresiarcas – que é o mesmo em todos os séculos e para todas as doutrinas – se mostra hoje muito mais cinicamente à luz do sol.
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Nosso outro clichê mostra um heresiarca do século XX, o famoso “Father divine”, que obtém os sufrágios entusiásticos do povinho miúdo de nossos dias, como os obtinha do povinho de seu tempo o demagogo astuto que foi Lutero. O rosto do FATHER DIVINE resplandece da alegria de viver. Todo seu corpo parece saturado de bem-estar. Sua jovem e alva noiva dá idêntica impressão.
É que o espírito de revolta da sensualidade vivia a medo e às ocultas no séc. XVI. E no séc. XX tão grande é sua vitória, que se mostra sem rebuços. A fé, a pureza, estas, infelizmente, se imaginam na contingência de viver às ocultas…
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