domingo, 24 de janeiro de 2016

Alguns fatos interessantes na vida de São Francisco de Sales...

[cancaonova]
Por Prof. Felipe Aquino


São Francisco nasceu em 1567, na época da Reforma Protestante,  em uma família rica, filho mais velho do Barão de Boisy, no castelo de Sales, na Saboia, naquele tempo era parte da França, Itália e Suíça. Sua mãe, Francisca de Boisy, piedosa, ensinou-lhe desde a infância o amor a Jesus e Maria,  e lhe ensinava o Catecismo, contando-lhe também sobre a vida dos santos. Isto fez nascer nele, desde menino,   o desejo da santidade e das coisas de Deus.
Quando era bem pequeno, ouviu falar dos calvinistas que haviam dominado a Suíça e boa parte da França. Um dia, soube que um deles estava visitando o castelo de seus pais. Como não podia entrar na sala para protestar, pegou um pedaço de pau, entrou no galinheiro e foi  gritando contra as galinhas: “Fora com os hereges! Não queremos hereges!” As galinhas fugiam gritando como podiam.
Aos 18 anos foi tentado terrivelmente por uma sensação de desespero e condenação ao inferno, o que só venceu com fervorosa oração aos pés de Nossa Senhora. Tinha 20 anos quando isso aconteceu. Conheceu a errada doutrina de Calvino sobre a predestinação, e não conseguia tirar da cabeça a ideia fixa de que seria condenado. Não conseguia comer e dormir. Dizia a Jesus que, se por sua infinita justiça o condenasse ao inferno, concedesse-lhe a graça de continuar amando-O mesmo no inferno. Sua libertação dessa tentação aconteceu quando entrou numa igreja em Paris e ajoelhando-se diante de uma imagem de Nossa Senhora, rezou a oração de São Bernardo:
“Lembrai-Vos, ó piíssima Virgem Maria  que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que têm recorrido à vossa proteção, implorado a vossa assistência, e reclamado o vosso socorro, fosse por Vós desamparado. Animado eu, pois, de igual confiança, a Vós, Virgem entre todas singular, como a Mãe recorro, de Vós me valho e, gemendo sob o peso dos meus pecados, me prostro aos Vossos pés. Não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus humanado, mas dignai-Vos de as ouvir propícia e de me alcançar o que Vos rogo. Amém”.
Quando acabou a oração, não teve mais os pensamentos de tristeza e desespero e teve a certeza de que Deus o amava e que não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, “mas para que o mundo seja salvo por Ele” (Jo. 3, 17).
No ambiente acadêmico que vivia não era fácil viver na graça de Deus, mas ele fugia das ocasiões perigosas e das más amizades. Um dia, na Universidade, alguns estudantes, para zombar de sua piedade o  atacaram. Francisco era perito na arte da esgrima, tirou sua espada e derrotou a todos. Depois de vencê-los, tendo-os desarmados,  retirou-se, dizendo: “E agradeçam a Deus em quem creio, pois é por isso que não lhes faço mal”.
Aos 24 anos doutorou-se em Direito, na Universidade de Pádua, Itália. De volta à casa dos pais, aos 24 anos, recusou um casamento brilhante e um posto no Senado do Reino.
Foi ordenado padre a 18 de dezembro de 1593. Em 1602 tornou-se bispo de Genebra, aos 32 anos. Escreveu várias obras. “Tratado do Amor de Deus”, onde escreveu: “A medida do amor é amar sem medida”. Sua obra mais famosa é a “Introdução à Vida Devota”, ou Filotéia  (= a alma que ama a Deus). É um compêndio da vida devota. O livro oferece recomendações e exercícios para a boa condução da alma a Deus, à prática das virtudes e da oração. Traz também, avisos necessários contra as tentações mais comuns e o modo de como renovar e conservar a alma na devoção.
São Francisco de Sales era um homem de temperamento muito  forte, mas com o auxílio da graça, conseguiu dominar-se a ponto de ficar conhecido e amado como o santo da doçura. Chegou a tal ponto à mansidão que o seu grande amigo, São Vicente de Paulo, disse: “Ó meu Deus, se Francisco de Sales é tão amável, como sereis Vós?”
Na verdade, ele soube viveu o que Jesus disse: “Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para vossas almas” (Mt. 11, 29).
São João Bosco, fundador da Congregação Salesiana, tanto admirou São Francisco de Sales que escolheu-o para patrono da sua Congregação. E Santa Joana de Chantal dele dizia: “Era uma imagem viva do Filho de Deus, porque verdadeiramente a ordem e a economia dessa santa alma era toda sobrenatural e divina”. Foi diretor espiritual dela, desde 1604 em Dijon, com quem fundou a Ordem da Visitação em 1610.
Foi declarado Doutor da Igreja em 1877, e o Papa Pio XI o instituiu padroeiro dos jornalistas.
Esta frase dele: “A medida de amar a Deus consiste em amá-Lo sem medida”, resume a sua vida, um exemplo vivo de tudo o que ensinava. Estando ele ainda vivo, havia já pessoas devotas que guardavam como relíquias os objetos por ele usados.
Uma dura batalha ele travou para reconquistar Chablais, no sul do lago de Genebra. Esta região estava totalmente dominada pelos calvinistas, cujo exército não deixava os habitantes católicos viverem em paz. Em 14 de setembro de 1594, dia da exaltação da Santa Cruz, ele foi  a pé para a grande missão, sendo muito provocado. Muitas vezes teve de dormir ao relento. Uma vez teve de ficar toda a noite em cima de uma árvore para não ser morto e devorado pelos lobos. Na manhã seguinte, foi salvo por um casal de camponeses calvinistas que adquiriram grande simpatia por ele e o ajudaram no seu trabalho, tendo se convertido ao catolicismo.
Nesta luta, toda noite, como padre, São Francisco e seus amigos católicos iam de casa em casa, jogando debaixo das portas folhetos escritos à mão, nos quais eram refutados os falsos argumentos da heresia calvinista. Por esse fato, ele recebeu da Igreja o título de “Patrono dos escritores e jornalistas católicos”. Esses escritos foram posteriormente reunidos e publicados sob o nome de “Controvérsias”.
Depois de alguns anos de duras lutas e perseguições, Chablais se converteu totalmente, e ele foi nomeado bispo de Genebra. Para ser sagrado bispo, teve de ir a Roma, onde o próprio Papa Clemente VIII (1592-1605) o interrogou sobre 35 pontos difíceis de Teologia, em presença do Colégio cardinalício. “Ninguém dos que examinamos mereceu nossa aprovação de maneira tão completa!”- exclamou o Papa ao abraçá-lo.
Peçamos neste dia, a intercessão desse grande santo da nossa Igreja, para que ele também nos ajude a ser mansos de coração e dóceis a vontade de Deus, como nos mostrou em sua vida muito bem.
São Francisco de Sales, rogai por nós!
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